Vacina contra Covid-19 desenvolvida pela UFRJ avança para testes em humanos
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) prepara-se para solicitar autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar testes em humanos da sua vacina contra a Covid-19. Com um desenvolvimento promissor nas etapas pré-clínicas, o imunizante, chamado URFJvac, pode começar os ensaios clínicos ainda neste ano, representando um avanço importante na luta contra a pandemia.
O imunizante da UFRJ foi desenvolvido utilizando tecnologia de proteína recombinante, que consiste em replicar a proteína de superfície do coronavírus para estimular a resposta imunológica. Essa técnica é semelhante à aplicada em vacinas contra hepatite B e HPV, o que traz segurança e eficácia ao método adotado.
Tecnologia aplicada na vacina URFJvac e suas vantagens
Ao contrário de outras vacinas que utilizam o vírus inativado, como é o caso da CoronaVac, a vacina da UFRJ usa a proteína spike do coronavírus, reconhecida por ser a estrutura pontiaguda que permite a entrada do vírus nas células humanas. Essa proteína é usada como componente ativo da vacina, provocando uma reação imunológica que prepara o organismo para reconhecer e combater o vírus real.
A professora Leda Castilho, líder da equipe de pesquisa, destaca que essa tecnologia é adaptável a outras variantes do coronavírus e até a diferentes vírus, desde que se identifique a proteína viral adequada para cada caso. Essa flexibilidade torna o método promissor para futuras aplicações em outras doenças virais.
Etapas de desenvolvimento e próximos passos
- A URFJvac já passou por estudos pré-clínicos em animais, com resultados positivos que indicam segurança e eficiência.
- O próximo passo é a submissão de um pedido formal à Anvisa para realização de testes em voluntários humanos, etapa conhecida como ensaios clínicos.
- Diversas variantes do coronavírus estão sendo avaliadas para definir qual será prioritária no desenvolvimento final da vacina.
- A expectativa é que os testes com humanos comecem ainda neste ano, ampliando as opções de imunização contra a Covid-19 no Brasil.
Contexto atual das vacinas contra Covid-19 e o papel da vacina da UFRJ
Desde o início da pandemia, diferentes tecnologias têm sido usadas no desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19, como mRNA, vírus inativado, vetores virais e proteínas recombinantes. A vacina da UFRJ destaca-se por se apoiar em uma técnica já consolidada e eficiente, que pode gerar respostas imunológicas robustas com segurança comprovada.
A produção local de vacinas é estratégica para garantir o abastecimento contínuo e superar problemas logísticos ou políticos, além de reduzir custos. A URFJvac representa também um avanço científico nacional, com potencial para contribuir diretamente no combate à pandemia dentro do país e em outras regiões.
Vantagens da proteína recombinante na imunização
- Estabilidade: Vacinas baseadas em proteínas tendem a ter melhor estabilidade térmica, facilitando o armazenamento e transporte.
- Segurança: Por não usarem o vírus vivo, mesmo que inativado, apresentam baixo risco de efeitos adversos graves.
- Adaptabilidade: Podem ser rapidamente adaptadas para incorporar proteínas de novas variantes do vírus.
- Experiência prévia: Tecnologia comprovada em vacinas contra outras doenças, como hepatite B e HPV.
Importância de novas vacinas diante das variantes do coronavírus
As mutações do coronavírus continuam sendo um desafio para os programas de vacinação global. Vacinas com tecnologia flexível, como a da UFRJ, podem acelerar a resposta às novas variantes, garantindo proteção atualizada e eficaz.
Além disso, o desenvolvimento nacional fortalece a autonomia do Brasil em saúde pública, reduzindo dependência de fornecedores internacionais e estimulando pesquisas locais para futuros agentes infecciosos.
Perspectivas futuras e desafios
O caminho para aprovação da vacina URFJvac envolve rigorosos testes para confirmar sua segurança e eficácia em humanos. Embora a expectativa seja iniciar os testes ainda este ano, resultados conclusivos e a possível produção em larga escala dependem do sucesso dessas etapas e de aprovação regulatória.
Investir em vacinas nacionais complementa os esforços globais e amplia a diversidade de opções disponíveis, contribuindo para a imunização contínua da população brasileira e de outros países.